Histórico: - 18/09/2005 a 24/09/2005 - 04/09/2005 a 10/09/2005 - 28/08/2005 a 03/09/2005 - 21/08/2005 a 27/08/2005 - 14/08/2005 a 20/08/2005 - 24/07/2005 a 30/07/2005 - 17/07/2005 a 23/07/2005 - 03/07/2005 a 09/07/2005 - 26/06/2005 a 02/07/2005 - 19/06/2005 a 25/06/2005 - 12/06/2005 a 18/06/2005 - 05/06/2005 a 11/06/2005 - 29/05/2005 a 04/06/2005 - 22/05/2005 a 28/05/2005 - 15/05/2005 a 21/05/2005 - 08/05/2005 a 14/05/2005 | |||
|
Outros sites: - UOL - O melhor conteúdo - BOL - E-mail grátis | |||
|
|
VIDA E OBRA GIL VICENTE UM CRÍTICO ATENTO E MORDAZ
www.prof2000.pt/users/hjco/aleixvic/004.jpg Corre o ano de graça de 1502 em Lisboa. É noite de 7 de junho. Todo o palácio real respira leve apreensão. D.Maria de Castela, excelsa esposa do rei D.Manuel I, descansa dos trabalhos de parto do dia anterior, quando deu à luz um menino. (...) Quem pode se aglomera à entrada do régio aposento e saúda com olhares sorridentes o mais novo príncipe de Portugal. Súbito, um burburinho quebra a atmosfera desse ambiente. É mestre Gil, ourives da Corte, que vem em vestimentas de vaqueiro e acompanhado de um zagal. Impaciente, ele pede licença aos que ali estão para se aproximar da rainha.(...) A rainha soergue-se do leito. Alguém a informa de que é mestre Gil e que deseja] homenagear o recém-nascido. Com o consentimento prévio, o vaqueiro e seu mudo companheiro dirigem-se, sob olhares pasmados, ao centro da alcova real. Lá, em vez de uma gentil cortesia, ou mesmo de um simples boa-noite, uma avalancha de protestos. Para chegar até ali, o rústico diz ter sido agredido pela guarda, ter dado um soco em um dos "figurões" e que, se soubesse dessas todas dificuldades, não teria vindo. E se viesse não teria entrado. E se entrasse... É uma representação.(...) O discurso do vaqueiro aos poucos desdobra-se em tom de louvor ao " excelente príncipe". E ao fim, com uma irônica referência à truculência da guarda real, a grande supresa: o rude camponês faz que entrem outros " porcariços" e " vaqueiros" que trazem consigo mimos ao príncipe recém-chegado. A aprovação é geral. A tal ponto que D.Leonor (viúva de D.JoãoII), a mais entusiasmada, pede ao mestre que repita a apresentação quando dos próximos festejos natalícios. A passagem anterior mostra, resumidamente, a barulhenta estréia do dramaturgo Gil Vicente. Essa entrada em cena para representar o Monólogo do Vaqueiro ou Auto da Visitação, sua primeira peça, é exemplo de sua personalidade artística bombástica e corrosiva, que prefere o protesto à cordialidade. Mesmo assim, Gil Vicente foi um sucesso em sua época. PARA LEMBRAR O dramaturgo soube aliar em suas obras o divertimento e o espírito reformador apoiado no respeito às instituições, além de um alto padrão estético. 1. O PREFERIDO DOS REIS: Não se sabe exatamente quando ou onde Gil Vicente nasceu. Os poucos indícios históricos registram seu nascimento entre 1465 e 1470, possivelmente em Guimarães. Uma cidade rica em artistas e artesões, onde provavelmente aprendeu o ofício de ourives, que praticou nas Cortes de D. Manuel I ( 1469 a 1521) e de D. João III (1502 a 1557). Gil Vicente viveu a maior parte de sua vida em Lisboa, centro comercial e cultural de Portugal. De origem popular, não se sabe onde adquiriu a vasta e diferenciada cultura com que marcou sua obra. Todas ou quase todas as afirmações biográficas a respeito do dramaturgo são suposições. Graças a isso, costuma-se dividir essa figura histórica em dois:
das festas palacianas. Há dúvidas inclusive se ambos seriam os mesmos, pois torna difícil juntar as duas personalidades. No entanto, é o Gil Vicente poeta e dramaturgo que aqui interessa. Aquele que desenvolveu em Portugal um teatro até hoje incomparável em sua grandeza. 2. UMA PRODUÇÃO INTENSA E ORIGINAL:A obra de Gil Vicente não seguiu nenhum padrão determinado. Não há sinal de que conhecesse o drama grego e não há registro histórico de teatro pré-vicentino em Portugal. Além de uma rudimentar ação dramática que floreceu na Europa, durante a Idade Média, o espanhol Juan del Encina(1468 a 1529) foi quem primeiro compôs peças de caráter pastoril e religioso na Penísula Ibérica. Gil Vicente é, portanto, o criador do teatro em Portugal.
Texto e assinatura de Gil Vicente PARA LEMBRAR: Sua produção inicia-se em 1502, com o Monólogo do Vaqueiro, ou Auto da Visitação, e termina em 1536, com Floresta de Enganos, num total de 34 anos de intensa produ- tividade e 46 peças, sendo uma em castelhano, 16 bilíngües e as restantes em Lingua Portuguesa. Esse conjunto foi reunido e editado por seu filho, Luís Vicente, em 1562, no volume entitulado Compilaçam de Todalas Obras de Gil Vicente. Um trabalho que infelizmente não teve o rigor necessário, pois apresentou alterações nos textos e omissão de peças. Ignora-se também a data da morte de Gil Vicente, sabendo-se apenas que aconteceu entre 1536, ano em que foi apresentada sua última peça e abril de 1540, data de um documento no qual aparece a seguinte frase: " Gil Vicente, que Deus perdoe". Texto extraído do livro Gil Vicente - Auto da Barca do Inferno, nº 14 VISITEM OS BLOGS:
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 14h13 [ envie esta mensagem ]
|