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VERSOS

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TEMPOS VÊM,TEMPOS VÃO

Os tempos vêm. Tempos vão

Com todos os seus contrastes.

Velhas folhas cairão...

Nascerão outras nas hastes.

Airosa e sedutora,

Risonha na sua dança,

Se hoje é encantadora,

Amanhã nem semelhança.

Que faço eu nesta vida?

Pergunto de quando em quando.

Se tiver missão cumprida

Não estacionei, eu ando.

Quem os instintos domina

Mat'rialidade calma.

Aureola sua alma

O espírito não declina.

Copo abaixo, copo acima,

Ciclo do alcatruz da nora.

Vida do Homem se aproxima.

Quando há má hora ou boa hora.

Nesta vida a correr

De desértica miragem,

Não há tempo de o ser

Pensar que não tem paragem.

O velho já alquebrado

É jovem envelhecido.

Recordações dum passado

Já de há muito fugido.

ANTÔNIO MADEIRA PINA

Poeta Português.

 

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- Postado por: Mestra dos Sonhos às 19h13
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DANDO CONTINUIDADE A OBRA:

ANOTE

Álvaro de Campos e Ricardo Reis, assim como o

próprio Pessoa, consideravam-se discípulos de Alberto

Caeiro, mas cada um seguiu os ensimamentos do mestre

à forma e chegaram até a travar uma polêmica muito

interessante sobre o fazer poético.

A última frase de Fernando Pessoa foi escrita em inglês

no dia de sua morte: " Iknow not what tomorrow will bring" ou

" Eu não sei o que o amanhã trará". O amanhã trouxe para

Fernando Pessoa uma admiração crescente. Suas obras foram

aos poucos sendo publicadas e hoje ele é considerado, ao

lado de Camões um dos maiores poetas portugueses de todos

os tempos. Nenhum poeta, em Língua Portuguesa, obteve

tanto prestígio em todo o mundo. Graças so poder da palavra.

Graças à magia da poesia.

Textos extraído do livro Fernando Pessoa- Poemas Escolhidos

Assinaturas de Fernando Pessoa e seus heterônimos.

www.instituto-camoes.pt

 

Visitem os blogs:

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- Postado por: Mestra dos Sonhos às 11h50
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VIDA E OBRA

O ENIGMA EM PESSOA

Pessoa no traço de Almada, 1935

Ao escrever sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano

Octavio Paz afirma que "os poetas não têm biografia.

Sua obra é sua biografia". Diz ainda que, no caso de Pessoa,

" nada em sua vida é surpreendente-nada, exceto seus

poemas". Homem de vida pública modesta, Fernando Pessoa

dedicou-se a inventar. Através da poesia, criou outras vidas,

despertando, assim, o interesse por sua própria vida tão

pacata. Tornou-se, portanto, o "enigma em pessoa".

1-Influência Inglesa. Nascido em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888,

Fernando Pessoa perdeu o pai aos 5 anos de idade. Em 1896, a família

é levada pelo segundo marido de sua mãe para a cidade de Durban,

na África do Sul, onde ele cursa o secundário, lê obras de grandes

autores de Língua Inglesa, como Milton, Byron, Shelley e Poe, e

desenvolve o gosto pela Literatura. Em 1903, ingressa na Uni-

versidade do Cabo. Deixando a família em Durban, o jovem

Pessoa retorna a Portugal e matricula-se no Curso Superior

de Letras, que logo abandona. Entra em contato com os

grandes escritores da Língua Portuguesa. Impressiona-se

com os sermões do Padre Antônio Vieira(1608 a 1687) e

particularmente com a obra de Cesário Verde (1855 a 1886).

Em 1908, começa a trabalhar como tradutor de cartas comer-

ciais para empresas estrangeiras. Deste emprego modesto

tirará o sustento durante toda a vida. Boêmio, encontra-se

com os amigos em cafés, especialmente o Brasileira, do

Chiado, para discutir Literatura. Em 1912 conhece o poeta

Mário de Sá-Carneiro(1890 a 1916), de quem se tornaria

grande amigo. Sá-Carneiro suicida-se em Paris, no dia 26

de abril de 1916, após escrever cartas angustiadas a

Fernando Pessoa.

ANOTE

A revista Orpheu, fundada em 1915 por Fernando Pessoa,

Mário de Sá-Carneiro e outros amigos, como Almada Negreiros

e Luís de Montalvor, representa o marco inicial do Modernismo

em Portugal.

Pessoa menino

www.instituto-camoes.pt/escritores/pessoafotof01.jpg

2-Vida Literária. Após a notoriedade, nem sempre positiva,

adiquirida com a publicação de ORPHEU, Pessoa mergulha

em anos relativa obscuridade. Publica dois pequenos

volumes de poemas em inglês, reunindo ANTINUOUS

e 35 SONNETS(1918), além de ensaios e poemas

esporádicos em algumas revistas; funda outras,

envolve-se com o ocultismo e a magia negra, dedica-

se à astrologia. Em 1934, tomando dinheiro empresta-

do, publica o livro MENSAGEM, e com ele participa do

prêmio " Antero de Quental". Recebe o prêmio de Categoria B.

No dia 30 de novembro de 1935, morre de cirrose hepática.

PARA LEMBRAR

Fernando Pessoa nunca teve, em vida, o reconhecimento

que merecia. Viveu modestamente, em relativa obscuridade.

Em vida, teve apenas dois livros publicados: os poemas em

inglês e Mensagem.

3- FACETAS DE UM GRANDE POETA. Desde cedo, Fernando Pessoa

inventara seus companheiros. Ainda em Durban, imagina os

heterônimos Charles Robert Anon e H.M.F.Lecher. Cria também

o especialista em palavras cruzadas Alexander Search e outras

figuras menores. Mas seria no dia 08 de março de 1914 que os

heterônimos começariam a aparecer com toda a força. Neste

dia, Pessoa escreve os 49 poemas de O GUARDADOR DE REBANHOS,

de Alberto Caeiro. Como resposta, escreve também os seis poemas

de CHUVA OBLÍQUA, que assina com seu próprio nome. Logo inventa-

ria Álvaro de Campos e, em junho do mesmo ano, Ricardo Reis. Um

semi-heterônimo de Pessoa, Bernardo Soares, teve sua obra, O LIVRO

DO DESASSOSSEGO, composta por fragmentos de prosa poética,

publicada apenas em 1982.



- Postado por: Mestra dos Sonhos às 10h48
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