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AUGUSTO DOS ANJOS (1884-1914) Nasceu e cresceu no Engenho Pau D'Arco, na Paraíba. Instruído inicialmente pelo pai, formou-se no Liceu Paraibano e na Faculdade de Direito de Recife. Nervoso, misantropo e solitário, só costumava ir fazer as provas, em que tinha desempenho brilhante. Sua formação real se deu na rica biblioteca de seu pai, onde leu, precoce, os principais escritores, cientistas e filósofos de seu tempo. Formado, casou-se e passou a lecionar Português, inicialmente na Paraíba e, em seguida, no Rio de Janeiro, onde viveu, de 1910 a 1914, com a mulher e dois filhos, do salário miserável de professor do Ginásio Nacional e da Escola Normal. Em 1912, publica, com recursos emprestados a seu irmão Odilon, seu único livro EU, que, na época, pouco sucesso fez. Em 1914 é nomeado diretor do Grupo Escolar da cidade mineira de Leopoldina, onde esperava viver uma vida menos miserável. Neste mesmo ano, morre vítima de uma pneumonia dupla.
xamanismo.com.br/ midias/imgs/novaera.jpg O MORCEGO Meia-noite.Ao meu quarto me recolho. Meu Deus!E este morcego! E,agora, vede: Na bruta ardência orgânica da sede, Morde-me a goela ígneo e escaldante molho. "Vou mandar levantar outra parede..." -Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, Circularmente sobre a minha rede! Pego de um pau. Esforço faço. Chego A tocá-lo. Minh'alma se concentra. Que ventre produziu tão feio parto? A CONSCIÊNCIA HUMANA é um morcego! Por mais que a gente faça,à noite, ele entra Imperceptivamente em nosso quarto!
www.emc.ufsc.br/ ~ricardo/images/bat.jpg
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 15h49 [ envie esta mensagem ] Gonçalves Dias (1823-1864) Nascido no Maranhão, filho de pai português e mãe provavelmente cafusa, Gonçalves Dias se orgulhava de ter no sangue as três raças formadoras do povo brasileiro: a branca, a índia e a negra. Após a morte do pai, sua madrasta mandou-o para a Universidade em Coimbra, onde ingressou em 1840. Atravessando graves problemas financeiros, Gonçalves Dias é sustentado por amigos até se graduar bacharel em 1844. Retornando ao Brasil, conhece Ana Amélia Ferreira do Vale, grande amor de sua vida.Em 1846, publica os Primeiros Cantos. Esse livro lhe trouxe a fama e a admiração de Alexandre Herculano e do Imperador Dom Pedro II, que, a partir de então, o nomeia para diversos cargos públicos. Em 1851, pede a mão de Ana Amélia em casamento. Recusado pela família da amada, casa-se, no ano seguinte, com Olímpia da Costa. Em 1862,seriamente adoentado, vai se tratar na Europa. Já em estado deplorável, em 1864 embarca no navio VILLE DE BOULOGNE para retornar ao Brasil. O navio naufraga na costa maranhense no dia 03 de novembro de 1864. Salvam-se todos a bordo, menos o poeta, que já moribundo, é esquecido em seu leito.
NÃO ME DEIXES! Debruçada nas águas dum regato A flor dizia em vão À corrente onde bela se mirava... "Ai, não me deixes, não!" *** "Comigo fica ou leva-me contigo Dos mares à amplidão; Límpido ou turvo, te amarei constante; Mas não me deixes, não!" *** E a corrente passava; novas águas Após as outras vão; E a flor sempre a dizer curva na fonte: "Ai, não me deixes, não!" *** E das águas que fogem incessantes À eterna sucessão Dizia sempre a flor, e sempre embalde: "Ai, não me deixes, não!" *** Por fim desfalecida e a cor murchada, Quase a lamber o chão, Buscava inda a corrente por dizer-lhe Que a não deixasse, não. *** A corrente impiedosa a flor enleia, Leva-a do seu torrão; A afundar-se dizia a pobrezinha: "Não me deixaste, não!"
Texto extráido do livro Coletânea- Clássicos da Poesia Brasileira. VISITEM O WWW.MESTRADOSSONHOS.ZIP.NET
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 11h36 [ envie esta mensagem ] Olavo Bilac (1865-1918)
Carioca, Olavo Brás Martins do Guimarães Bilac iniciou, aos 15 anos, o curso de Medicina, mas o abandonou pelo de Direito, que também não concluiria. Dedicando-se com afinco ao jornalismo, escreveu, durante anos, crônicas e artigos díarios para diversos jornais. Participou ativamente de campanhas cívicas, escreveu a letra do Hino da Bandeira, e dedicou-se à educação, escrevendo poemas infantis e livros didáticos. Seu primeiro livro, POESIAS , foi publicado em 1888, traz como abertura o poema PROFISSÃO DE FÉ, hino do parnasianismo brasileiro,em que compara o poeta a um ourives, que trabalha minuciosamente as jóias em ouro e prata. Após a sua morte, foi publicado o volume TARDE (1919). A poesia de Bilac, como em alguns sonetos da série VIA LÁCTEA, afasta-se com frequencia do ideal parnasiano da objetividade e envereda pelo sentimentalismo mais declarado. Explica-se, portanto, como teria se tornado o mais popular poeta parnasiano do Brasil. Seu funeral, no RJ, foi acompanhado por uma multidão de admiradores.
LÍNGUA PORTUGUESA Última flor do Lácio,inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura; Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela... Amo-te assim, desconhecida e obscura. Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela, E o arrolo da suadade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi:" meu filho"!, E em que Camões chorou, no exílio amargo, O gênio sem ventura e o amor sem brilho!. Olavo Bilac Poema extraído do livro coletânea- Classicos da poesia brasileira Significado de algumas palavras: CLANGOR: SOM RIJOE ESTRIDENTE COMO O DE CERTOS INSTRUMENTOS METÁLICO DE SOPRO. PROCELA: TEMPESTADE MARÍTIMA. TROM: SOM DE CANHÃO OU DE TROVÃO
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 09h32 [ envie esta mensagem ]
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